Artigo 01 - Uma Análise do Curso de Licenciatura

Em 2006, o setor de educação da Universidade Estadual da Paraíba criou um jornal: nele, havia um certo espaço para artigos escritos por alunos, e então fui convidado para escrever o primeiro artigo. Tive que escolher um tema: escolhi falar sobre um curso de licenciatura. A seguir, apresento-lhes o artigo, um pequeno texto de outrora.
 

UMA ANÁLISE DO CURSO DE LICENCIATURA

Ao ser perguntado sobre os seus objetivos, o que poderia responder o sistema educativo? Indubitavelmente, teríamos variadas respostas: uma, porém, necessariamente figuraria entre elas, qual seja: preparar os seres para a vivência e construção social, porquanto a educação é dirigida (ou deveria ser) para todos, e todos têm que se beneficiar. Dessa forma, o sistema educativo deve atropelar os interesses individuais e proclamar vários acordos tácitos surgidos ao longo dos tempos, considerando-os consistentes e 'verdadeiros'.

Qual o objetivo de um curso de licenciatura, então? Preparar 'educadores'? Que significa, então, preparar um 'educador'? Inicialmente, e nunca é irrelevante lembrar, o dinamismo natural ou a realidade mutável nos legou e sempre deixará como herança um conjunto de pensamentos, ideias, situações onde o 'adequado' é sempre 'inadequado'. Assim, ao perscrutarmos para atinarmos com a resposta desejada, podemos prescindir de metas demasiado rígidas e utópicas a serem alcançadas ou de padrões meramente idealistas: os problemas também são interpretações, e como tais sempre existirão.

Um curso de licenciatura deve, em princípio, instigar o pensamento dos futuros 'educadores'. Para tanto, faz-se necessário, primeiramente, a inexistência de regras guiadoras rígidas e de padrões preestabelecidos intocáveis; em seguida, deve ser palco para diversas atividades produtivas, criadoras e também, algumas, abertas à comunidade, propiciando, dessa forma, a fusão da diversidade. Nesse contexto, os alunos nunca devem se despojar do interesse e do esforço; já os professores, todos os professores, devem ser maleáveis e abertos a diálogos e reflexões; em caso contrário, ambos são dispensáveis e inúteis.

Preparar um 'educador' também significa fornecer-lhe meios para conhecer a complexa estrutura humana, as ideias e informações clássicas e modernas atinentes à sua área e, outrossim, a nossa realidade social, os nossos problemas e os nossos potenciais. Concernente a estes últimos, não é pouco importante, portanto, que os profundos e obscuros abismos que, por vezes, separam os conteúdos ministrados nas licenciaturas da realidade em que vivemos sejam superados, e mesmo que não o sejam, não obstante a irrealização dessa meta ao menos um esforço nesse sentido deve existir.

Por fim, em um curso de licenciatura, a chamada teoria e a prática devem manter uma relação de proximidade, uma ligação intrínseca deve existir entre ambos, ou ainda, para nos expressarmos mais corretamente, ambos devem ser vistos como um só, o que implica afirmar que um curso onde existe um e não existe o outro, este curso não pode ser chamado senão de incompleto, ou menos ainda.