Prólogo

— I —
Dentro de alguns meses estarei em sala de aula e... lecionando matemática. Minha licenciatura, praticamente a terminei. Então, como vez por outra gosto de escrever, apareceu-me esta idéia: colocar no papel todas as minhas mais importantes experiências que tive no curso de licenciatura e, sobretudo, escrever a respeito das minhas expectativas acerca do novo caminho que tenho para percorrer — e quem sabe se depois de algum tempo em sala de aula, eu não volte a escrever sobre essas mesmas expectativas, sobre minhas ilusões e posteriores desilusões.
Não obstante, minha natureza não permite apenas isso. Contrariando uma das principais características do homem “sábio” contemporâneo (a especificidade e falta de universalidade), eu realmente não saberia escrever um livro abordando apenas um ou dois temas: gosto do variado, de muitas coisas, de ter a mente permeada por muitas idéias. Dessa forma, neste livro, caro leitor, poderás encontrar desde experiências minhas na universidade até reflexões profundas sobre diversos aspectos da educação.
— II —
Do título do livro.
O título do livro diz: “Os fundamentos da educação”, mas poderia muito bem ser: “Expectativas de um professor recém-formado...”, ou ainda: “Formei-me em matemática e vou dar aula: e agora?” (este último é um plágio...). Entretanto, como me dispus a discorrer sobre muitos assuntos, tive que escolher um título abrangente e que se adequasse o melhor possível à situação: os últimos dois títulos que coloquei acima, por exemplo, dão demasiada importância às minhas expectativas, deixando de fazer referência ou mesmo englobar assuntos importantes tratados aqui, como a análise que farei do curso de licenciatura e reflexões sobre assuntos diversos atinentes à educação (na verdade, de um determinado prisma, pode-se dizer que falo explicitamente de minhas expectativas apenas em um segundo plano). Então, para falar a verdade, sequer pensei em outro título: no momento mesmo em que perguntei-me: “Que título vou colocar?”, o título do livro emergiu das profundezas do meu inconsciente e, ostentosamente, tocou em mim e me escolheu — o título me escolheu...
Todavia, vejam que mesmo esse título é inadequado se tomarmos a palavra fundamentos num sentido mais limitado. “Fundamentos”, aqui, quer significar tudo aquilo que sustenta, que dá base, enfim, que faz parte de uma forma ou de outra. Dessa maneira, as expectativas de um futuro professor fazem parte da educação, bem como o curso que o formou, suas idéias, etc.
— III —
O livro: para quem se dirige.
É conselho corrente para todos aqueles que querem escrever um livro indagarem-se para quem o livro está sendo escrito. Em se tratando de um livro que aborda um tema mais específico, podemos atinar facilmente com a resposta; em se tratando de outro caso, porém, a coisa pode ficar um pouquinho mais complicada.
Este livro se encaixa na área de filosofia e educação. Então é para educadores que escrevo? Não somente: escrevo para todos aqueles que se interessam por educação, sejam alunos, professores, teóricos da educação, pais, músicos e arquitetos (músicos e arquitetos?! Sim, não escrevo especificamente para eles, mas o livro pode ser-lhes útil: até daquilo que é antagônico a nós podemos tirar boas coisas).
— IV —
Do estilo.
Este não é um livro padronizado: ele tem um estilo próprio. Uma das coisas que mais odeio no capitalismo é a castração que ele promove na criatividade. Na música, por exemplo, como os grupos musicais ou cantores precisam ser suficientemente “comerciais”, eles não fazem um trabalho próprio, original, mas antes precisam se adequar a inúmeras regras para poderem desenvolver um trabalho que seja “bem-sucedido”. Isso, na verdade, para os artistas medíocres (aqueles que têm o inveterado costume de se submeterem a regras) é até melhor, porém é péssimo para aqueles que criam e que necessitam de uma rédea mais frouxa para poderem expressar um talento mais genuíno. Evidentemente, e não sou tolo o suficiente para não perceber isso, o grande e pessoal motivo que me leva a não gostar, por exemplo, de ter que ler um manual antes de escrever um livro é bem outro do que esse citado aí em cima. Eu apenas me justifiquei com um motivo secundário.
Enfim, o livro tem um estilo próprio, e não apenas em sua forma: o conteúdo também é algo especial e único — ele dança, rebola, varia, oscila do superficial ao profundo e do profundo ao superficial na velocidade de um passo, como se fosse a mudança de um passo. Para compreendê-lo bem, é preciso estar sempre andando e mudando de posição, olhando de vários modos, dando cambalhotas. Trata-se de um conteúdo múltiplo, que muda de cor com constância e cuja profundidade, em certos momentos, pode se tornar inalcançável, e cuja superficialidade pode vir logo à tona. Nele, também se percebe a pouca experiência, o engatinhar e a tentativa de um primeiro mergulho, mas de um mergulho estridente e barulhento, sem tantas cautelas.
— V —
Por fim, espero que aqueles que lerem este livro possam refletir e evoluir. Vou até repetir: até daquilo que é antagônico a nós podemos tirar boas coisas.
 
Campina Grande, 12 de novembro de 2006
- I -
Dentro de alguns meses estarei em sala de aula e... lecionando matemática. Minha licenciatura, praticamente a terminei. Então, como vez por outra gosto de escrever, apareceu-me esta idéia: colocar no papel todas as minhas mais importantes experiências que tive no curso de licenciatura e, sobretudo, escrever a respeito das minhas expectativas acerca do novo caminho que tenho para percorrer — e quem sabe se depois de algum tempo em sala de aula, eu não volte a escrever sobre essas mesmas expectativas, sobre minhas ilusões e posteriores desilusões.
 
Não obstante, minha natureza não permite apenas isso. Contrariando uma das principais características do homem “sábio” contemporâneo (a especificidade e falta de universalidade), eu realmente não saberia escrever um livro abordando apenas um ou dois temas: gosto do variado, de muitas coisas, de ter a mente permeada por muitas idéias. Dessa forma, neste livro, caro leitor, poderás encontrar desde experiências minhas na universidade até reflexões profundas sobre diversos aspectos da educação.
 
- II -
Do título do livro.
 
O título do livro diz: “Os fundamentos da educação”, mas poderia muito bem ser: “Expectativas de um professor recém-formado...”, ou ainda: “Formei-me em matemática e vou dar aula: e agora?” (este último é um plágio...). Entretanto, como me dispus a discorrer sobre muitos assuntos, tive que escolher um título abrangente e que se adequasse o melhor possível à situação: os últimos dois títulos que coloquei acima, por exemplo, dão demasiada importância às minhas expectativas, deixando de fazer referência ou mesmo englobar assuntos importantes tratados aqui, como a análise que farei do curso de licenciatura e reflexões sobre assuntos diversos atinentes à educação (na verdade, de um determinado prisma, pode-se dizer que falo explicitamente de minhas expectativas apenas em um segundo plano). Então, para falar a verdade, sequer pensei em outro título: no momento mesmo em que perguntei-me: “Que título vou colocar?”, o título do livro emergiu das profundezas do meu inconsciente e, ostentosamente, tocou em mim e me escolheu — o título me escolheu...
 
Todavia, vejam que mesmo esse título é inadequado se tomarmos a palavra fundamentos num sentido mais limitado. “Fundamentos”, aqui, quer significar tudo aquilo que sustenta, que dá base, enfim, que faz parte de uma forma ou de outra. Dessa maneira, as expectativas de um futuro professor fazem parte da educação, bem como o curso que o formou, suas idéias, etc.
 
- III -
O livro: para quem se dirige.
 
É conselho corrente para todos aqueles que querem escrever um livro indagarem-se para quem o livro está sendo escrito. Em se tratando de um livro que aborda um tema mais específico, podemos atinar facilmente com a resposta; em se tratando de outro caso, porém, a coisa pode ficar um pouquinho mais complicada.
 
Este livro se encaixa na área de filosofia e educação. Então é para educadores que escrevo? Não somente: escrevo para todos aqueles que se interessam por educação, sejam alunos, professores, teóricos da educação, pais, músicos e arquitetos (músicos e arquitetos?! Sim, não escrevo especificamente para eles, mas o livro pode ser-lhes útil: até daquilo que é antagônico a nós podemos tirar boas coisas).
 
- IV -
Do estilo.
 
Este não é um livro padronizado: ele tem um estilo próprio. Uma das coisas que mais odeio no capitalismo é a castração que ele promove na criatividade. Na música, por exemplo, como os grupos musicais ou cantores precisam ser suficientemente “comerciais”, eles não fazem um trabalho próprio, original, mas antes precisam se adequar a inúmeras regras para poderem desenvolver um trabalho que seja “bem-sucedido”. Isso, na verdade, para os artistas medíocres (aqueles que têm o inveterado costume de se submeterem a regras) é até melhor, porém é péssimo para aqueles que criam e que necessitam de uma rédea mais frouxa para poderem expressar um talento mais genuíno. Evidentemente, e não sou tolo o suficiente para não perceber isso, o grande e pessoal motivo que me leva a não gostar, por exemplo, de ter que ler um manual antes de escrever um livro é bem outro do que esse citado aí em cima. Eu apenas me justifiquei com um motivo secundário.
 
Enfim, o livro tem um estilo próprio, e não apenas em sua forma: o conteúdo também é algo especial e único — ele dança, rebola, varia, oscila do superficial ao profundo e do profundo ao superficial na velocidade de um passo, como se fosse a mudança de um passo. Para compreendê-lo bem, é preciso estar sempre andando e mudando de posição, olhando de vários modos, dando cambalhotas. Trata-se de um conteúdo múltiplo, que muda de cor com constância e cuja profundidade, em certos momentos, pode se tornar inalcançável, e cuja superficialidade pode vir logo à tona. Nele, também se percebe a pouca experiência, o engatinhar e a tentativa de um primeiro mergulho, mas de um mergulho estridente e barulhento, sem tantas cautelas.
 
- V -
 
Por fim, espero que aqueles que lerem este livro possam refletir e evoluir. Vou até repetir: até daquilo que é antagônico a nós podemos tirar boas coisas.
 
Campina Grande, 12 de novembro de 2006