PREFÁCIO

 

I

Pretendia escrever este prefácio só mais na frente, quando, algum dia, talvez tivesse condições de publicar ou alguém se interessasse em publicar este livro. No entanto, trasanteontem tive um sonho que me deixou cismado e até preocupado, e então resolvi me apressar para deixar logo tudo pronto.


II

Antigamente, na adolescência, escrevia alguns sonetos, coisas curtas, estranhas e sentimentais; numa fase posterior, já havia manifestado o desejo de escrever algo mais amplo: tentei algumas vezes iniciar a escrita de um livro, porém parei logo no início, pois, de alguma forma, eu não conseguia dispensar muito do meu tempo e do meu pensamento em direção de uma coisa só, de um assunto só. Entretanto, aproximadamente em fevereiro de 2005, entrei em contato com um livro cujos assuntos eram abordados em pequenos blocos de texto, cada um abordando um assunto diferente, sem maiores conexões com os demais e em geral com sentido completo: encantei-me com aquele método, a escrita por meio de aforismos, e logo no mês seguinte, em março, comecei a escrever este livro.


III

Os aforismos aqui expostos seguem quase que à risca uma ordem cronológica. Todavia, muitas coisas que podem parecer ter sido escritas depois foram escritas antes, e o inverso é válido: é que, conquanto pretendesse colocar tudo em ordem cronológica, ocorreram alguns problemas durante a digitação do texto (boa parte do livro foi escrito à mão, em folhas de ofício), e daí, além da sempre presente indisposição para revisar e mudar o que escrevo, também perdi a noção de certas coisas, como a exata ordem em que foram escritos certos aforismos.


IV

Este livro é o meu primeiro, será conhecido entre uma ou duas pessoas como o meu primeiro livro, muito embora já tenha outros dois praticamente prontos e não tenha ainda publicado nenhum deles. É a expressão de muitas experiências e de muitas reflexões: em certos instantes, parecerá um livro triste, melancólico, fruto de uma crise, e eu o escrevi mesmo numa crise, eu tinha o costume de viver em crises; mas em outros momentos será visto como algo escrito numa convalescença: um doce gosto de viver, uma doce satisfação de compartilhar será perceptível — e esta é a principal característica do livro: o alto e o baixo, o feio e o bonito, o superficial e o profundo, o feliz e o triste, tudo convivendo num só lugar, buscando, cada um, com muitas cotoveladas e laços de amizade, o seu lugar.

 

V

O livro trata de muitas coisas, contempla o diverso e o único com um único e diverso olhar: política, religião, psicologia, filosofia, educação, relações sociais, tudo é visto, é “olhado” da minha perspectiva que, por eu viver no mar, subindo e descendo por causa das ondas, engloba muitas outras: os vários olhares fazem-se presentes, e com eles até a brincadeira, a ironia... O livro também, em algumas partes, assume uma aparência rígida: é pesadamente crítico, duro, é um espelho, e não tem a pretensão de criar. Já em outras partes, vê-se a tolerância, a compreensão, o desejo de se despojar de ideias, de se livrar delas, de expô-las ao mundo, de perdoar-se a si mesmo e de fazer-se ouvir e ver, de construir; vê-se também a evolução sutil e até o amadurecimento de um jovem, que vai deixando os prantos e as migalhas dos erros para trás, endireitando o caminhar torto e sem destino.


Campina Grande, 11 de fevereiro de 2007